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sábado, 15 de outubro de 2011

Amizade Colorida (Friends with Benefits, 2011)

with 9 comentários
      No começo desse ano, mais precisamente em março, estreava uma comédia romântica estrelada pela belíssima Natalie Portman e pelo novo Charlie Sheen, Ashton Kutcher, chamada Sexo sem Compromisso. Digo isso, porque ambos filmes possuem o mesmo ponto de partida: é possível ter relações amorosas com uma pessoa sem criar laços afetivos? Porém, enquanto aquele longa era simples e tratava do assunto de forma ingênua, este Amizade Colorida valoriza seus personagens e faz o espectador se importar com eles.

      Dylan é um talentoso diretor de arte que, aproximado por uma headhunter, recebe a tentadora proposta de cuidar de uma grande revista em Nova Iorque. Sem conhecer ninguém na cidade, se torna melhor amigo da moça. Frágeis, eles começam a transar diariamente, alegando que nada crescerá entre eles. Justin Timberlake e Mila Kunis têm química e seguram bem a obra. Entretanto, quem rouba a cena são os veteranos Richard Jenkins, Patricia Clarkson e Woody Harrelson.

      Apesar de ter sido dirigido no automático por Will Gluck, o roteiro feito por seis mãos possui diálogos afiados, momentos originais e personagens surpreendentemente humanos. Há, ainda, ótimas piadas, em sua maioria apontando os inúmeros clichés do gênero, distorcendo alguns e, infelizmente, copiando outros. Mas contando com um bom elenco e ótimas participações, é um sopro de alívio no decadente histórico atual do gênero. E ainda responde bem a pergunta do primeiro parágrafo. Diferente de seu antecessor.

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quinta-feira, 13 de outubro de 2011

O Zelador Animal (Zookeeper, 2011)

with 1 comentários
      Hollywood sempre está na busca de reviver antigos gêneros. Muitos já tiveram sua grande época de ouro. Outros apenas abocanharam alguns sucessos e logo sumiram. Se no primeiro grupo podemos citar os musicais, que há tempos não vê algo decente, no segundo temos os longas de animais, que tiveram seus momentos na década de 90, principalmente com os filmes de Eddie Murphy. Surpreendente ou não, as novas obras desse estilo não empolgam mais. E, aqui, temos um exemplo novo na lista.

      Griffin é o zelador de um zoológico que foi recusado um pedido de casamento há cinco anos e nunca se recuperou direito. Com a volta de sua antiga amada, decide correr atrás da garota novamente, dessa vez com a ajuda de seus animais e uma veterinária. Kevin James é um comediante carismático, não tem como negar, mas sua parceira Leslie Bibb é péssima e inexpressiva. Talvez isso tenha contado para a apenas boa Rosario Dawson. E Ken Jeong extrapola mais uma vez na caricatura.

      Dirigido mecanicamente por Frank Coraci, o filme possui personagens que mudam de acordo com o roteiro e animais unidimensionais que sempre tem na manga superficiais e toscas lições de moral para o protagonista. É ainda muito previsível, com uma fotografia equivocada e músicas de fundo deslocadas. Só não seria um desastre total se James não fosse tão cativante, já que é sem graça demais. E pior: é bobo para adultos e difícil para crianças. Ou seja, nem público certo tem.

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segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Contra o Tempo (Source Code, 2011)

with 2 comentários
      Uma última tendência de Hollywood tem sido fazer filmes de ação onde os protagonistas agem puramente por amor, se tornando herois para ficar com a pessoa a quem amam, porém não podem por forças maiores e inexplicáveis. Foi assim no recente (e excelente) Os Agentes do Destino, e agora ocorre o mesmo neste também ótimo Contra o Tempo. Infelizmente, ninguém previa que outra tendência seria piorar o longa com um final contraditório e menor, dramaticamente falando.

      Colter Stevens é um soldado que acorda dentro de um trem no corpo de um desconhecido. Após oito minutos, o transporte explode e ele acorda dentro de uma cápsula. Informado que está numa complexa missão, coloca tudo a perder para salvar a linda Christina, enquanto procura achar o responsável pelo acidente. Jake Gyllenhaal retrata muito bem a confusão inicial de seu personagem, e realmente passa a impressão que está se apaixonando por Michelle Monaghan, que possui uma ótima química com o companheiro de cena. Já Vera Farmiga e Jeffrey Wright estão muito bem e não fazem feio.

      Sendo apenas seu segundo trabalho, Duncan Jones demonstra que Lunar não foi apenas acaso, e que tem talento de sobra. Ajudado por um roteiro intrigante e bem amarrado, narra com eficiência a história. A edição é hábil em conduzir o espectador sem confundí-lo e nunca deixar a tensão cair. Entretanto, como já dito, peca por um final medroso, mas com um lindo plano dentro do trem. É outro longa atual que faz o público pensar. Se eles estão abertos a isso, eu já não sei. Contudo, se não estiverem, estão perdendo uma grande oportunidade.

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sábado, 27 de agosto de 2011

Minha pausa e filmes

with 3 comentários
      Como vocês puderam notar, me ausentei do blog por um tempo. Um longo tempo, aliás. Isso aconteceu devido a viagens feitas no mês de julho e provas em agosto. Agora, porém, acho que conseguirei voltar as minhas atividades normais. Contudo, são muitos filmes para comentar, portanto dividirei todos em dois ou três grandes posts com pequenos comentários. Desculpem mesmo pelo problema e pela recorrente falta de aviso.

O Poder e a Lei (The Lincoln Lawyer, 2011)
Apesar do batido tema, O Poder e a Lei tem ótimas reviravoltas e mantém a atenção do espectador durante todo o filme. O personagem caiu como uma luva na persona de Matthew McConaughey, em uma de suas melhores interpretações. O elenco de apoio ainda é de grande ajuda, com exceção de Ryan Phillipe, que pouco cresceu desde o início de sua carreira. O diretor só perde a mão nas cenas onde o personagem fica bêbado, porém é perdoável. Uma boa pedida aos fãs do gênero.
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Sobrenatural (Insidious, 2010)
Todas as boas qualidades do filme ocorrem em seu primeiro ato. Quando ainda não apela para os habituais clichés, a obra desenvolve seus personagens e deixa um clima tenso no ar. Contudo, como já disse, se deixa cair nos perigos do terror. E se Rose Byrne constrói uma personagem intrigante, Patrick Wilson é atrapalhado por uma surpresa dispensável do roteiro, que esquece de revelar algumas das principais perguntas. Uma pena, pois parecia acima da média.
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Incêndios (Incendies, 2010)
Indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro desse ano, esta obra canadense se revela o segundo melhor longa da lista, perdendo apenas para para Um Mundo Mulher. Com personagens interessantes, uma narrativa densa e uma reviravolta que, mesmo não sendo completamente coerente, serve como um desfecho digno. Lubna Azabal transforma Nawal na alma da obra, enquanto Maxin Gaudette e Mélissa Désormeaux-Poulin ajudam na composição deste ótimo filme.
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Carros 2 (Cars 2, 2011)
A Pixar é dona de um currículo invejoso, incluindo algumas das animações mais extraordinárias da história. Portanto, é no mínimo estranho, que esta sequência tenha feito tantos erros. Apesar de ser bem feita e divertida, as piadas não funcionam, as perseguições são genéricas e a escolha de colocar Mate como protagonista é errada, transformando um alívio cômico numa tortura combinação de gags clichés. Só esperamos que seja um caso isolado, pois ninguém é perfeito.
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Eu Sou o Número Quatro (I Am Number Four, 2011)
Adaptado de um livro medíocre com uma mitologia criativa feito para adolescentes, o filme é, pelo menos, superior ao seu material de origem. Contudo, isso não quer dizer muita coisa. Sem trazer nada de novo, a obra conta com um elenco fraco (nem o excelente Timothy Olyphant coopera), diálogos risíveis e uma direção amadora. As músicas dão um gás a mais, e a história é atraente, mas ambos não são créditos do longa. É a preparação de uma franquia, mas não creio que irá para frente.
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Padre (Priest, 2011)
O tema é bom, o contexto que eles criam é interessante, os efeitos especiais são perfeitos e a fotografia é impecável. Entretanto, tudo isso ocorre por cima de personagens chatos e uma trama maçante. Paul Bettany e Karl Urban estão muito bem, mas Alan Dale e Christopher Plummer são mal usados. Felizmente, dura pouco e as cenas de ação são envolventes. Porém, o gosto amargo de que poderia ser muito melhor permanece por um tempo.
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Brasil Animado (Idem, 2011)
A primeira incursão brasileira no 3D com um longa-metragem se revela uma grande homenagem ao nosso país, mostrando algumas das nossas mais lindas paisagens e principais pontos turísticos. Nem as piadas utilizadas até dizer chega, a previsível reviravolta e a falta de recursos estragam este belo presente do cinema ao Brasil, pois qualquer verdadeiro patriota se sentirá orgulhoso vendo este longa. Já que, acima de tudo, tem alma. E isso basta.
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quarta-feira, 13 de julho de 2011

Os Agentes do Destino (The Adjustment Bureau, 2011)

with 4 comentários
      De vez em quando, nossa vida parece só encontrar algum sentido quando conhecemos a pessoa de nossos sonhos. Uma simples olhada dela e nosso mundo já fica mais colorido. Porém, e se forças superiores estivessem tentando nos separa, você faria de tudo para tê-la de novo? Olha, pode até soar absurdo, mas é exatamente disso que o filme fala. Contudo, não se enganem. Pois quando feito de uma boa forma, até a ideia mais louca pode dá certo. Vide Charlie Kaufman. Ou este novo longa romântico de ação.

      David Norris é um candidato a senador que, diante de uma inesperada derrota, esbarra com Elise, uma bela mulher, no banheiro masculino. Após um mês sem se verem, os dois se reencontram. Entretanto, ele é logo avisado por estranhos homens que não podem continuar juntos. Com poucas cenas para desenvolverem o relacionamento de seus personagens, Matt Damon e Emily Blunt possuem grande química e não desperdiçam a chance de nos convencer, sendo ajudados por seguras atuações de Terence Stamp e Michael Kelly.

      Hábil ao passar uma forte imagem de solidão no protagonista, o estreante George Nolfi ainda consegue fazer excelentes cenas de perseguição. O roteiro, baseado num conto de Philip K. Dick, cria misteriosas perguntas, e as responde de forma inteligente e coesa, porém deixando algumas conscientemente para o espectador desvendar por conta própria (e isso pode passar desde alienígenas a Deus). Infelizmente, termina a obra de forma covarde e abrupta, jogando fora muito do que havíamos visto. Se os cinco minutos finais fossem mudados, aposto que seria considerado uma obra-prima contemporânea. Portanto, um longa acima da média. Com o destaque de ser original e empolgante.

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terça-feira, 12 de julho de 2011

X-Men: Primeira Classe (X-Men: First Class, 2011)

with 7 comentários
      Em 2000, o primeiro X-Men revolucionou o cinema ao adaptar uma história em quadrinhos de forma genuinamente boa. Antes dele, poucos haviam conseguido. Portanto, uma continuação era uma questão de tempo. Tanto que três anos depois, X-Men 2 foi criado, e acabou ficando melhor que o original. Para completar a trilogia, fizeram O Confronto Final, levemente inferior, porém longe de ruim. Contudo, quiseram dinheiro demais e o longa medíocre de Wolverine nasceu. Felizmente, eles colocaram a cinessérie de volta aos trilhos com este novo episódio. E me arrisco a dizer, que é o superior dos cinco.

      Charles é um exímio professor de genética que descobre que seus poderes não são privilégios apenas seus, e decide montar um grupo de mutantes para combater o malvado Shaw. Em seu grupo, participam Eric, Raven e Hank, os futuros Magneto, Mística, Fera, entre outros. James McAvoy está ótimo como o líder, entretanto, a obra é de Michael Fassbender, numa atuação visceral. Kevin Bacon faz a melhor interpretação de sua carreira, enquanto Jennifer Lawrence e Nicholas Hoult provam novamente que realmente sabem atuar. Já January Jones se limita ser bonita.

      Assumindo a direção, Matthew Vaughn faz um trabalho maravilhoso, sendo a melhor escolha que poderiam ter feito. O roteiro nos mantém presos na cadeira, e ainda fecha as pontas soltas com imprevisíveis reviravoltas, além de colocar a trama num evento que aconteceu de verdade, dando veracidade a tudo. Mas principalmente, desenvolve os personagens A direção de arte cria cenários lindos e a trilha sonora é eficaz mesmo não tendo composições muito originais. Contando com cenas de ação envolventes (ao contrário do longa anterior), o filme ressalta o poder dessa série no cinema. Que venham as continuações, pois elas vão existir.

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quinta-feira, 7 de julho de 2011

Namorados Para Sempre (Blue Valentine, 2010)

with 4 comentários
      Em um diálogo do filme, o protagonista faz um monólogo alegando que homens são mais românticos, pois eles seguem o coração, enquanto as mulheres põem acima de tudo, a estabilidade econômica e social que os maridos podem trazer. Relacionamentos começam e acabam tão rápido, que certas pessoas nem permanecem no fundo. Outros, duram até demais. E mesmo que um não aceite, o parceiro já seguiu em frente. Frases e reflexões como estas diferem o longa, tanto em seu conteúdo, quanto em seu realismo, tornando a obra uma das melhores peças de arte que o cinema proporcionou este ano.

      Dean e Cindy são um casal que perderam o interesse um pelo outro. Para tentar reaver sua paixão, decidem passar uma noite sozinhos num motel, sem os filhos. Porém, o plano dá errado, e eles relembram como se conheceram e dos tempos onde o amor entre eles ainda existia. Ryan Gosling interpreta intensamente Dean, mudando de humor facilmente, sem nunca perder o carinho por Cindy, que vivida pela Michelle Williams, é uma mulher calma que sabe esconder seus reais sentimentos. Juntos, carregam o filme e contém ótima química.

      O novato Derek Cianfrance faz uma estreia impecável. Além de ter roteirizado (com o apoio de duas pessoas) de forma delicada e franca, ainda dirigiu com uma calma e sutileza invejável. A fotografia emprega bem os tons melancólicos da situação, e a edição usa coerentemente o vai-e-vem da história, sem nunca transparecer erros e confusão no espectador. Acima de tudo, um filme verdadeiro e corajoso. Os olhares dos personagens dizem isso. São humanos. Abertos a equívocos, e tentados pelo maior. E poucas vezes já conseguiram isso de maneira tão natural.

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segunda-feira, 4 de julho de 2011

Passe Livre (Hall Pass, 2011)

with 6 comentários
      Irregulares por natureza, os irmãos Farelly viram seus filmes caírem de qualidade durante os anos. Sem nunca, ao menos, terem dado grande relevância a câmera e seus atributos, criaram boas obras na década de 90 e custaram a voltar ao auge. Pois, aqui, quase atingem esta meta. Nada realmente espetacular e hilário, mas ao menos te faz rir durante seus 105 minutos. E numa safra, digamos, porca nesse gênero, longas assim deveriam subir aos olhos.

      Rick e Fred são dois maridos que jamais abandonaram sua tara por mulheres. Então, recebem de suas esposas, uma chance de passarem uma semana livre das correntes matrimoniais. Contudo, percebem que se tinham alguma característica boa para conseguir pessoas do outro sexo, estas já haviam sido perdidas há um certo tempo. Owen Wilson e Jason Sudeikis têm boa química e seguram bem o filme, ajudados pelas competentes Jenna Fischer e Christina Applegate. O maior elogio, entretanto, vai a sensacional participação do veterano Richard Jenkins.

      Ainda sem melhorarem sua técnica, os diretores conseguem empregar suavidade suficiente para nos entreter. O roteiro, abusando de momentos embaraçosos, tem uma moral agradável que é passada de forma natural. Perde um pouco de ritmo em seu terceiro ato, e quase fica sentimental demais, mas não estraga a primeira hora. Acaba se tornando, ao seu fim, num dos poucos exemplares engraçados do ano.

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sábado, 2 de julho de 2011

Rio (Idem, 2011)

with 2 comentários
      Brasil está na moda. Para algumas pessoas, no topo do mundo. E em teoria, nada seria melhor do que um já conhecido diretor de nossa terra fazer um filme sobre a cidade mais famosa brasileira. Portanto, talvez, isto tenha sido o problema. Não que o longa falhe em absolutamente tudo que propõe, mas esperávamos uma obra que não usasse de nossos estereótipos a cada dois segundos. E o que mais vemos é isso. Oras, você nunca pegou trânsito porque um desfile de samba ocorria no meio da rua, e nem reconheceu a porta-bandeira como sua dentista. Diverte? Sim. Decepciona? Com certeza.

      Blu é um pássaro que se perde de sua mãe e é contrabandeado ilegalmente para os EUA, onde vira bicho de estimação de uma adorável menina. Anos mais tarde, ambos descobrem que ele é um animal em extinção, e que precisa urgentemente procriar, senão a espécie logo desaparecerá. Aqui, se envolve novamente no mercado negro. Contudo, com a ajuda de sua pretendente, deve voltar aos braços de sua dona e escapar de seus seguidores, enquanto enfrenta seu medo de voar. Anne Hathaway e Jesse Eisenberg dublam muito bem, apoiados por também ótimos atores, inclusive Rodrigo Santoro, num irreconhecível inglês.

      Tecnicamente fabuloso, recriando as lindas paisagens cariocas de forma brilhante, o filme se estabelece para crianças. Tanto que contém um roteiro infestado de clichés e pouco ambicioso, com personagens bonitinhos, uma trilha sonora convencional, momentos musicais bacanas (mesmo que nenhum seja especialmente envolvente), e canções legais como Take You to Rio e Telling the World (reproduzida nos créditos). O que basta para Carlos Saldanha, como diretor, é transformar seu longa num agradável convite para se visitar nossa pátria. Mas, instante algum, mostra cenas que não foram pré-formuladas pelos estrangeiros. Uma pena.

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terça-feira, 28 de junho de 2011

Rango (Idem, 2011)

with 5 comentários
      O gênero de faroeste encontra-se atualmente fora de moda. No passado, não apenas dominou o circuito, como transformou simples mortais em lendas, tanto que piadas envolvendo Chuck Norris são habituais em rodinhas de amigos. Contudo, isso deve mudar. Pois se no começo do ano vimos Bravura Indômita, o excelente drama dos irmãos Coen (que faturou mais de 170 milhões de dólares nos EUA), logo chegou por aqui Rango. Afinal, nada como reviver algo pelas crianças. E ele provou bem seu ponto nesta ajuda.

      Rango é um camaleão de estimação aspirante a ator que se perdeu de sua família no deserto. Acabando numa cidadezinha pobre do Oeste, usa seus métodos artísticos para contar histórias e tornar-se o novo ídolo da cidade. Mas quando um grupo de animais roubam todo o estoque de água do local, ele é obrigado a partir para uma busca contra os malfeitores. Grande parte do trunfo de filme vem de seus dubladores, especialmente Johnny Depp, que faz de Rango uma criatura humana e interessante; e Ned Beatty.

      Comandado pelo sempre competente Gore Verbinski, o filme contém gags excelentes, referências relevantes a outros longas, uma trilha fantástica, e personagens encantadores, abusando de todos os clichés de faroeste de modo inteligente. Ainda possui uma fotografia intensa, mostrando que animações podem encantar sim nesse quesito. O roteiro, infelizmente, se arrasta em cenas desnecessárias e longas, principalmente em seu miolo. Entretanto, a viagem visual e a perfeição estética da obra a colocam em um degrau acima das demais.

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sexta-feira, 17 de junho de 2011

Gnomeu e Julieta (Gnomeo and Juliet, 2011)

with 2 comentários
      Quando falamos de animação, existem dois tipos de pessoas: aqueles que têm completo preconceito e se limitam a filmes com "gente", e aqueles que gostam de todos longas do gênero. A verdade, é que certas animações são bem ruins. Podemos citar os dois últimos longas de Shrek e o recente Meu Malvado Favorito. E são assim, pois abusaram de piadas convencionais e bobas, que além de não serem engraçadas, revelam uma grande falta de originalidade por parte de seus criadores. Gnomeu e Julieta pertence a estes maus exemplos.

      Uma versão infantil da clássica tragédia de Shakespeare, retrata as brigas entre duas raças de gnomos: os azuis e os vermelhos, que constantemente se xingam e se enfrentam em corridas de cortadores de gramas. Julieta, cansada de ser tratada como uma frágil donzela, sai uma noite a procura de uma linda flor, e encontra Gnomeu, que fugia após ter invadido o jardim inimigo. Se apaixonam, e agora precisam combater os obstáculos impostos pela delicada situação.

      Contendo momentos musicais pavorosos, a obra não é simplesmente péssima por ter curta duração e alguns momentos inspirados, como a participação do próprio autor original (não de verdade, claro). Porém, logo enfraquece diante de personagens fracos, uma trama mal desenvolvida, um início descartável e uma qualidade gráfica rústica. Os motivos de tanto ódio entre eles nunca são explicados, e mostrar que os donos da casa não se gostam também não é uma justificação. Talvez fosse melhor deixar de lado a épica história. Ou melhor, deixar de lado esta tragédia, no mal sentido da palavra.

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terça-feira, 14 de junho de 2011

Piratas do Caribe: Navegando em Águas Misteriosas (Pirates of the Caribbean: On Stranger Tides, 2011)

with 3 comentários
      Em 2003, estreava por todo mundo o primeiro filme da saga Piratas do Caribe, baseado no famoso brinquedo da Disney. Logo, virou um imenso sucesso, que resultou em duas continuações boas, porém inferiores, e numa indicação de melhor ator para Johnny Depp. Aliás, seu Jack Sparrow já dava indícios de ser o verdadeiro astro dos longas. Por isso, após a trilogia original, resolveram apostar numa nova (contudo nada está confirmado ainda), apenas com ele. Até liberaram os outros dois protagonistas. Infelizmente, se revelou no filme mais fraco da série, mesmo que divirta.

      Após descobertas sobre o paradeiro da embarcação de Ponce de León, ingleses, espanhois e piratas agora buscam a lendária Fonte da Juventude. Já Sparrow, após perder seu amado navio, é obrigado a servir na tripulação de Barbanegra, onde um antigo amor está, alegando ser filha do malvado capitão. Depp continua bom, e seu personagem ainda é dono das melhores falas, mas já da sinais de desgastes, enquanto Geoffrey Rush melhora o nível novamente. Entretanto, o mesmo não pode ser dito sobre Ian McShane e Penélope Cruz, que atuam no automático. Fechando o elenco, os novatos Sam Claflin e Astrid Berges-Frisbey fracassam, sem química alguma e talento.

      Substituindo o competente Gore Verbinski, Rob Marshall pouco inventa e entrega uma direção desleixada, sem conseguir fazer bom uso do 3D. Escrito pela mesma dupla dos anteriores, o roteiro se perde em seus inúmeros personagens e mitos. Além do mais, erram feio em vários momentos: com o personagem Barbanegra, que aparentemente não gostava de exposição, para depois de ser mostrado, não sair de tela, com o simples intuito de criar um suspense banal sobre sua existência; e com os espanhois, desnecessários o longa inteiro, para no final fazerem uma piadinha infantil sobre religião. A fotografia ainda piora de vez o filme. Nem o design de produção e os efeitos salvam. Então por que três estrelas? Johnny Depp. O filme é dele, e ele não desaponta.

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segunda-feira, 13 de junho de 2011

Justin Bieber: Never Say Never (Idem, 2011)

with 4 comentários
     Vivemos num mundo cercado pela tecnologia. Um mundo na qual crianças aprendem a mexer em computadores antes de aprender a ler. Num mundo que oferece oportunidades e a chance de espalhar seu material por diversos países. E neste mundo, Justin Bieber nasceu. Juntou uma legião de fãs, e com menos de um ano de carreira, lotou o Madison Square Garden. Talvez aleguem que conseguiu isso por ser bonitinho, mas a verdade é que ele não é nenhum aspirante. Fizeram este filme para tentar provar. E, visando este objetivo, acertaram em cheio. Porém, cinematograficamente, erraram e muito.

      O longa narra toda a trajetória de Bieber e seu tal show, passando pelos testes vocais a suas aulas educacionais nos bancos de um ônibus. Paralelamente, acompanhamos sua história, por meio de vídeos caseiros e entrevistas com familiares. Recheado de pequenas participações de artistas famosos como Usher e Ludacris, o longa tem em um de seus piores problemas a personalidade pouco verossímil de seu protagonista, já que o adolescente vive dando lições de auto-ajuda, contudo ele não passou por muitas dificuldades pessoalmente.

      Ao focar nos momentos de sua infância, o filme encontra seus melhores momentos, seguido por um carisma (aí sim) do então menino. E é de se espantar todo o drama criado no último ato com uma provável decaída na voz do garoto, uma vez que pelo documentário inteiro vimos diversas de suas apresentações, criando um absurdo e ineficaz conflito. Apresentações, estas, que apenas evidenciavam mais ainda a falta de conteúdo do longa. Talvez se tivessem esperado mais alguns anos para realizar este trabalho, tramas de verdade teriam acontecido. Por enquanto, soa como um incrivel caça-níquel.

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quarta-feira, 1 de junho de 2011

Thor (Idem, 2011)

with 6 comentários
      Há um tempo atrás, a Marvel Studios decidiu dar início a um ambicioso projeto: Os Vingadores. Ele consiste em juntar diversos super-heróis num mesmo filme, uma ideia que já funcionara anteriormente nos quadrinhos. E para isso, precisavam fazer os longas de cada um. Primeiro, veio o Homem de Ferro, e agora este Thor. A vontade de sair por cima era tão grande, que ainda contrataram um experiente e sério diretor para o trabalho. O resultado: um longa realmente ambicioso, mas longe de perfeito.

      Após desobedecer as regras de seu pai, Thor é banido de seu planeta e é mandado para a Terra. Lá, se apaixona pela bela cientista Jane Foster, enquanto seu irmão, Loki, tenta roubar o trono em sua terra natal. Chris Hemsworth convence no papel principal, porém o maior achado do longa é Tom Hiddleston, que transforma seu personagem no mais intrigante e complexo. Já Anthony Hopkins reabre parte de seu grande talento perdido em filmes recentes, e Natalie Portman rejuvenesce a tela, contudo seu papel é praticamente desnecessário, assim como o de Rene Russo.

      Apesar de Kenneth Branagh acerta na direção de elenco e nas cenas de confrontos verbais, seus ângulos tortos se mostram inexplicáveis e as batalhas pouco motivam. O roteiro erra nas tentativas cômicas e as mudanças nas características de Thor são abruptas e incábiveis. A trilha sonora não explora nada novo, e a fotografia abusa de manjados truques para separar os planetas, que funcionam, diga-se de passagem. Mas o melhor são os efeitos especiais e o design de produção. Dignos de algo que o filme não é.

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segunda-feira, 30 de maio de 2011

Reencontrando a Felicidade (Rabbit Hole, 2010)

with 4 comentários
      Nascemos, crescemos, nos casamos, temos filhos, morremos. Nos mais simples termos, uma vida completa é assim. Ao decorrer dela, é onde aparece os momentos bons e ruins. Mas o que fazer quando uma alma perde a chance de seguir este rumo logo após o segundo item citado? Enquanto no mundo existem assassinos, estupradores e ladrões, uma ordinária criança dá adeus. Porém, o problema nunca termina aí. Pois vem o luto da família. A reconstituição. A redenção. Este é o momento tratado neste tocante filme. O reencontro com uma tão sonhada felicidade.

      Becca e Howie perderam seu filho de quatro anos há oito meses num acidente de carro. Juntos, começam a participar de grupos de apoio em busca de consolo. Contudo, é na amizade com Jason, o adolescente que atropelou a criança, que ela encontra sua maior oportunidade de salvação. Nicole Kidman, assim como sua personagem, se reinventa após uma série de longas irregulares, interpretando a mulher com uma notável calma, e Aaron Eckhart acaba sendo uma ótima dupla para ela, entregando química e sensatez. Já Dianne Wiest e Miles Teller acertam na sensibilidade de suas performances.

      Dirigido sem exageros por John Cameron Mitchell e escrito por David Lindsay-Abaire numa adaptação de sua própria peça, o filme tem seu maior problema em seu extremo realismo da vida, que portanto, custa a nos emocionar completamente. Entretanto, os atos maduros e as situações verossímeis do roteiro nos conquistam, embalados por uma belíssima trilha sonora. E ao pular o melodrama da morte do menino, o filme não apenas revela-se corajoso, mas também inteligente. Talvez sufoque alguns, porém a reflexão vinda do desenho feito pelo jovem culpado já é o suficiente para a obra se tornar indispensável.

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quinta-feira, 26 de maio de 2011

Malu de Bicicleta (Idem, 2010)

with 3 comentários
      Filmes brasileiros são considerados pelos críticos como um dos melhores e mais sensíveis atualmente, competindo com os da Romênia e África do Sul. Porém, algo ainda muito triste de notar, é que nós próprios pouco nos importamos com nossas obras. E vendo isso, foram lançados vários longas com diversos temas batidos pelos americanos. Para pegar um exemplo recente, cito As Melhores Coisas do Mundo, que apesar de funcionar perfeitamente como história, é recheado de clichés que não existem em nossas terras, como jornalistas online de colegial. Este aqui, segue o mesmo caminho. E como todo tradicional filme americano, é irregular.

      Luiz Mário é um garanhão dono de uma boate, que de tão viciado em mulheres, chega ao ponto de seus amigos o aconselharem a viajar e, quem sabe, se afastar desse caminho, pelo menos levemente. Contudo, no Rio, conhece Malu, uma mulher linda e aventureira. Começam a sair, e logo se estabelecem em São Paulo. Mas a amada não consegue se acostumar com a nova vida, e constantemente retorna à sua cidade. Enciumado, o homem acredita que ela o esteja traindo. Marcelo Serrado convence no papel, enquanto Fernanda de Freitas desponta e entrega uma ótima performance; mas Marjorie Estiano age sem carisma e no automático.

      Escrito pelo renomado Marcelo Rubens Paiva, o filme, infelizmente, encontra seus piores erros no roteiro. Situações como a terapia de Malu são deixadas de lado sem esclarecimento e os momentos cômicos falham. Já a direção de Flávio R. Tambellino aposta em nada muito criativo, entretanto não ofende e tampouco atrapalha. E a trilha sonora, apesar de variada, revela-se convencional. Ao fim, é uma decepção notar que um ótimo primeiro ato se perca num jogo de cíumes e paranoias. Se fosse melhor trabalhado, e não seguisse as riscas o estilo americano, convenceria absurdamente mais.

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sábado, 21 de maio de 2011

Cópia Fiel (Copie Conforme, 2010)

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      Dizem que a vida imita a arte. Dizem que a arte imita a vida. Mas para não nos contradizermos com o filme, vamos usar a palavra copia ao invés de imita. Nada é mais original, e tudo vem de algo já existente, mesmo que evoluído. Porém, e quando a vida copia a vida? E quando não sabemos distinguir uma história da outra? É isso que este filme propõe, contudo as mudanças são sutis e as respostas nunca emergem. Entretanto, não posso deixar de dizer que, por causa disso, se transformou num dos melhores longas lançado nos últimos anos.

      James Miller é um escritor inglês que decide lançar seu novo livro sobre cópias na arte em Toscana, lugar do qual teve inspiração para a obra. Conhece, então, Elle, uma francesa mãe de um filho de dez anos que possui uma galeria. Ela o chama para sair, e os dois seguem juntos pelo interior, onde começam um pequeno relacionamento. Contudo, a conversa ganha contornos mais íntimos, além de agora falarem um francês perfeito (antes, se comunicavam em inglês).

      O roteiro escrito pelo próprio diretor, Abbas Kiarostami, consegue diferenciar notavelmente os dois contos, enquanto as performances cheias de nuances de Juliette Binoche e William Shimell concedem incrível realismo ao longa. Os vários planos-sequência do cineasta ajudam também a dar um tom mais verdadeiro, pois, aliás, tudo se passa em um dia, e aquilo poderia ser a nossa vida, mesmo que de dois ângulos nada semelhantes. Não importa tentar descobrir qual é cópia de qual. Apenas observar este exercício, já é de um brilhantismo imenso. Um exercício que, infelizmente, não será praticado por muitos.

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segunda-feira, 9 de maio de 2011

Sexo Sem Compromisso (No Strings Attached, 2011)

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      O caminho após um Oscar sempre é conturbado. Diversos artistas que receberam a honra apenas o usam para escolherem os papeis que quiserem, mesmo que estes não convenham com seus talentos (Robert De Niro, Adrien Brody, Halle Berry). Outros, são tão cuidadosos, que esperam anos para aparecerem de novo (Kate Winslet, Sandra Bullock, Daniel Day-Lewis). Natalie Portman decidiu seguir o primeiro caminho, o mais controverso. E se depender deste filme, talvez não seja uma opção tão ruim.

      Emma e Adam se trombaram diversas vezes durante quinze anos, apenas para começaram uma relação aberta, ou como popularmente é conhecido, virarem amigos com benefícios. Porém, como usualmente acontece, ambos perdem-se no amor, e devem mudar os rumos da "amizade". Se Ashton Kutcher tem carisma suficiente para segurar as suas partes, é de Portman toda a mágica do filme. Kevin Kline ainda resgata um timing cômico que parecia perdido, enquanto Jake M. Johnson surge como uma boa revelação.

      Ao contrário do que alguns pensaram, o assunto já não é tão novo, sendo que aqui, é tratado de forma infantil e pouco corajosa. O que não impede de ter ótimas piadas, e divertir na maior parte do tempo. Contudo, é previsível e perde ritmo no ato final. Talvez o maior mérito, portanto, seja o fato de ter um homem tão experiente atrás das câmeras quanto Ivan Reitman, que concede veracidade a maioria do filme. Num dia agradável, pode ser o longa de sua vida. Já em um dia crítico, pode ser um grande tormento. Entretanto, para mim, acabou se tornando um delicioso passatempo.

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domingo, 1 de maio de 2011

Lançamentos Direto em DVD - Parte 1

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Segredos de um Funeral (Get Low, 2010)
Felix Bush é um senhor que após receber a notícia sobre a morte de um conhecido, decide fazer um grande funeral para si mesmo, enquanto ainda está vivo. Pra isso, contrata os serviços de Frank Quinn. Porém, a volta de um antigo amor reabre feridas antigas, e ele agora se confronta com um terrível segredo. Duvall é um ator fantástico, e aqui novamente mostra isso, praticamente carregando o longa nas costas. Entretanto, Sissy Spacek entrega uma performance belíssima e Bill Murray, acertadamente, fica num meio termo entre a comédia e o drama, resultando num trabalho notável. O roteiro sensível mantém o suspense de forma admirável, casando perfeitamente com a direção segura do estreante Aaron Scheneider. Destaque também para os figurinos e a direção de arte.
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Ladrões (Takers, 2010)
Um grupo de assaltantes profissionais (e estilosos, diga-se de passagem) pretendem fazer um último grande roubo a dois carros fortes, contudo recebem as informações por meio de um ex-parceiro que foi para a prisão por causa deles. Ao perceberem a traição deste, precisam fugir da polícia. O roteiro cria situações instigantes, mas isso não apaga as péssimas atuações de quase todos do elenco (Zoe Saldana surpreende em suas poucas cenas e Matt Dillon tenta de tudo para sair de um personagem unidimensional) e uma desbochada direção pelo John Luessenhop, mais evidente no clímax da obra centrado num hotel onde apela para a câmera lenta e uma sufocante música melodramática. Carregado de clichés, torna-se um torturante e dispensável filme.
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A Mentira (Easy A, 2010)
Olive é uma adolescente normal, até o dia em que, para não acampar com sua melhor amiga, inventa um encontro na qual perdeu a virgindade. Com uma repentina fama em sua escola, começa a aceitar dinheiro em troca de imaginários favores sexuais para certos colegas. No entanto, após revoltas de católicos fanáticos, tenta dá a volta por cima. Com um roteiro cheio de inspirados momentos (particularmente, o que eu mais gostei foi a maravilhosa homenagem a John Hughes) e tiradas inteligentes, o longa já pode ser considerado o mais engraçado do ano. Todavia, nada disso aconteceria sem o imenso talento e carisma da protagonista Emma Stone, indicada ao Globo de Ouro. E não podemos esquecer do elenco de apoio, e da contagiante trilha sonora.
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quarta-feira, 27 de abril de 2011

Homens e Deuses (Des Hommes et des Dieux, 2010)

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      Na minha crítica feita há alguns meses sobre Tio Bonmee, o relacionei com os filmes de festivais, certos longas feitos especialmente para um público mais crítico e diferente, como costumam caracterizar os júris destes, e nos quais são divididos em duas categorias: os realmente bons, e os  ruins, que de tão de arte, acabam pecando numa história fraca. Aquele caso se encaixava mais na segunda, porém este não, já que Homens e Deuses se revela um filme excelente, injustamente deixado de fora do Oscar.

      Um grupo de oito monges franceses vivem num mosteiro no interior da Argélia em 1996, onde ajudam a população local e moram pacificamente. Contudo, recebem ameaças de extremistas islâmicos, e precisam decidir se devem ou não abandonar o local. O elenco está em grande sintonia, entretanto, os destaques vão para Lambert Wilson, como o líder; e Jacques Herlin, como o veterano médico.

      Ao mostrar a vida destas pessoas detalhadamente, o filme habilmente gasta longos minutos em cenas calmas no campo, ou em rituais sagrados, que apesar de ocuparem grande parte do longa, nunca irritam, e isso revela um brilhante trabalho de direção por Kavier Beauvois, que conta ainda com uma ótima fotografia. Já o roteiro descreve muito bem todos os monges, e trata de assuntos relevantes com uma cautela admirável. Pode cansar alguns, e como certeza é preciso um pouco de paciência. Mas visto que seja um filme tão belo, o esforço é recompensado.

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